Depois a louca sou eu – Tati Bernardi

Eu gosto da Tati Bernardi desde que as frases que nunca saberemos se eram dela rolavam pela timeline do Tumblr lá em 2009. Apesar de esse ter sido o primeiro livro dela que chega às minhas mãos, eu já me identificava com os textos que encontrava em seu site ou no portal da Folha de S. Paulo, onde ela é colunista.

Quando, já do meio pro final da novela, eu descobri que ela era uma das colaboradoras de A Vida da Gente (2012), exibida no horário das seis na Rede Globo, eu quis voltar todos os capítulos só pra ver se reconhecia alguma traço da personalidade de Tati na novela. Mas no final achei que toda a aura da narrativa era muito parecida com ela.

Depois a louca sou eu é um livro que não fala sobre os outros, não fala sobre os problemas do mundo e nem sobre as questões em pauta nos jornais. Fala sobre a Tati Bernardi. Mas também não é uma biografia.

Por trás da capa derrubei-meu-marca-texto-verde-limão tem uma mulher na casa dos trinta anos se desmanchando para seus leitores e contando todas as coisas que tiram seu sossego ou atormentam sua paz. Em 90% do livro algum remédio antidepressivo comanda a história ou é o protagonista da cena. Tati conta nos mínimos detalhes como é ser dependentes de bulas e cartelas de comprimidos. “As boas drogas têm SAC”.

Mas não é uma romantização da ansiedade ou das crises de pânico. É de verdade. Tão de verdade que quase te faz sentir os enjoos e a suadeira ao entrar no avião, ou a necessidade de tomar 0,25g de Rivotril pra ver se a coisa melhora. Tão de verdade que você quase se sente meio depressiva também.

Os textos também têm uma dose de humor característica dela. Quando ela conta sobre seus namorados e suas transas, ou como é trabalhar com gente importante que trabalha na Globo. Ela deixa claro que apesar de ser roteirista, publicitária, escritora, funcionária de uma grande emissora e com alguns filmes e novelas/programas no currículo, ela é gente como a gente. Ela vomita, vai ao banheiro, tem medo, ânsias, vontades, chatices, cansaço, tristeza.

Depois a louca sou eu – Tati Bernardi

Depois a louca sou eu – Tati Bernardi

Tati deixou que nós entrássemos em seu mundo e déssemos opiniões, fizéssemos julgamentos. Que a gente pode achar a história dela toda uma frescura, mas que mesmo assim ela está lá escrevendo sobre ela.

A parte mais feliz é o último texto, quando ela diz orgulhosa que depois de tanto sufoco contado no livro, ela está há meses sem tomar nenhum remédio. Não que ela esteja totalmente curada das crises, mas que a vida voltou a ser normal do jeito que ela considera normal. E mesmo que tudo possa mudar no minuto seguinte, ter mais um dia para contar que não tomou nada é mais um dia feliz.

“Eu posso voltar a tomar remédios daqui a dez minutos, mas o fato é que neste minuto estou muito bem. Na real não estou muito bem, para falar a verdade estou até meio mal, mas estou um tanto mais parecida comigo”.

A Tati é louca, mas é legal.

  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano: 2016
  • Preço: 34,90

Vocês podem ler resenhas de outros livros lá no meu bloguinho literário: Quarto Andar.

Beijinhos,

Marca Sabryna

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